🩺 Médicos e enfermeiros da saúde pública do município do Rio iniciaram paralisação

Também na manhã desta segunda-feira, foi realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) uma audiência para discutir a greve

Médicos, enfermeiros e outros profissionais da Atenção Primária à Saúde do Rio de Janeiro realizaram, na manhã desta segunda-feira (02/02), um ato conjunto em frente ao Super Centro Carioca de Especialidades, em Benfica, na Zona Norte da cidade. A mobilização reuniu trabalhadores das Clínicas da Família de diversas regiões do município e marcou o início de uma paralisação das categorias médica e da enfermagem.

O protesto teve como principal reivindicação o cumprimento, por parte da Prefeitura do Rio, de acordos firmados sob a gestão do prefeito Eduardo Paes e do secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz; além da adoção de medidas mais efetivas para enfrentar a crise na Atenção Primária, considerada a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo os profissionais, a situação tem impactado diretamente as condições de trabalho e a qualidade do atendimento à população.

A manifestação contou com um contingente expressivo de trabalhadores e provocou fluxo em meia pista na Rua General Gustavo Cordeiro de Farias. Os organizadores destacam, no entanto, que assédios e ameaças a profissionais — intensificados desde o anúncio da paralisação, em 22 de janeiro — vêm desestimulando uma adesão ainda maior ao movimento sindical.

Nesta segunda-feira também teve início a paralisação dos enfermeiros, que será de dois dias, com manutenção de 70% do efetivo em atividade. Já os médicos iniciaram uma paralisação de nove dias, mantendo 50% do quantitativo habitual até o dia 11 de fevereiro. Sendo assim, diferentemente do alegado pela Secretaria Municipal de Saúde em sua nota à imprensa, o movimento dos trabalhadores não “emenda” com o carnaval.

Ao longo do dia, os profissionais relataram redução no movimento das unidades de saúde, em comparação com a rotina habitual, além de demonstrações de compreensão e apoio às reivindicações de parte da população. Os sindicatos informaram ainda que novas denúncias de assédio e retaliações foram registradas e que os casos serão tratados no âmbito do dissídio coletivo em curso.

Audiência no TRT discute greve na saúde do Rio e agenda reunião para tratar pagamentos e demissões

Também na manhã desta segunda, foi realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) uma audiência para discutir a greve de médicos e enfermeiros da rede municipal de saúde do Rio de Janeiro. O encontro reuniu representantes dos sindicatos, de algumas das organizações sociais (OS’s) que administram unidades de saúde, da Prefeitura do Rio e do Ministério Público do Trabalho.

Durante a audiência, os sindicatos informaram que os médicos estão sem reajuste salarial desde
2019 e que os enfermeiros não recebem recomposição há cerca de nove anos. Também relataram as dificuldades para negociar com o Município e com as OS’s, além de problemas no pagamento da gratificação prevista em contrato conhecida como “Variável 3”. As entidades também denunciaram que trabalhadores que participam do movimento grevista foram demitidos.

A Prefeitura do Rio afirmou que não pode firmar acordo coletivo de trabalho e atribuiu às OS’s a responsabilidade pela negociação com os profissionais. Enquanto isso, as OS’s disseram estar dispostas ao diálogo, mas alegaram depender de repasses financeiros e de limitações contratuais impostas pelo próprio Município. A Prefeitura, por sua vez, manteve o argumento de restrições orçamentárias para conceder reajustes salariais, limitando-se a informar que pretende pagar a gratificação Variável 3 no primeiro semestre de 2026. A questão das demissões não pôde ser abordada na audiência de hoje devido à ausência de algumas das OS’s para quem a gestão municipal tem optado por delegar a gestão dos serviços de saúde e as relações de trabalho.

Diante do impasse, a Presidência do TRT destacou que a greve é um direito garantido pela Constituição, inclusive em serviços essenciais, e que os trabalhadores não podem ser punidos por exercê-lo. Acolhendo proposta do Ministério Público do Trabalho, foi definida a realização de uma reunião entre todas as partes para tratar especificamente do pagamento da gratificação e de medidas para reduzir os conflitos.

A reunião ficou marcada para o dia 10 de fevereiro de 2026, às 13h, na Prefeitura do Rio de Janeiro, com a participação também das organizações sociais que não estiveram presentes na audiência. Até a realização desse encontro, ficou acordado que não haverá demissões nem desconto dos dias parados.

Fonte: Diario do Rio

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