Pesquisadores marcaram um momento histórico ao soltar as primeiras araras-canindés (Ara ararauna) no estado do Rio de Janeiro após mais de dois séculos de ausência da espécie na região. A reintrodução aconteceu nesta semana como parte de um projeto de restauração ecológica em áreas protegidas do estado. A iniciativa é liderada pelo projeto Refauna, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As aves, que incluem três fêmeas e um macho, foram transportadas de um parque especializado em reabilitação de animais no interior de São Paulo até o Parque Nacional da Tijuca, na capital fluminense, onde passaram por um período de aclimatação antes da soltura. Especialistas explicam que a presença das araras-canindés desempenha um papel importante na manutenção da biodiversidade, principalmente na dispersão de sementes de árvores nativas da Mata Atlântica, o que contribui para o equilíbrio e a regeneração dos ambientes naturais. O último registro científico da espécie em vida livre no estado do Rio remonta ao início do século XIX, por volta de 1818, antes de desaparecer da fauna local. A reintrodução representa uma tentativa de restaurar esse componente original do ecossistema fluminense, observado há mais de 200 anos. As araras vão permanecer inicialmente em um recinto de adaptação no interior do parque, onde continuarão sendo monitoradas por pesquisadores enquanto se ajustam ao ambiente natural. A expectativa é que, com o tempo, elas se integrem à fauna e possam voar livremente pelas matas da região.
